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9 de Agosto de 2022

Não seja um advogado "pitpoodle"!

Não é isso o que o seu cliente espera.

Nélio Oliveira, Advogado
Publicado por Nélio Oliveira
há 5 anos

No seja um advogado pitpoodle


Hoje sou advogado, mas até 2014 eu não era. Como todo cidadão trabalhador e sujeito de direitos e obrigações, me vi algumas vezes recorrendo ao Poder Judiciário em busca de solução para querelas diversas.

A bem da verdade, mesmo já portando a tão-valiosa OAB, nem sempre advogo em causa própria nas minhas incursões ao Poder Judiciário. Quando integro algum dos pólos em ações de família sempre contrato um colega e obviamente o remunero pelo serviço prestado, tento em vista meu patente e inescusável envolvimento emocional com a causa.

No entanto, tive algumas decepções com colegas que contratei, e essa é a razão do presente artigo. Com efeito, uma postura que considero lamentável e que já me causou danos tanto materiais quanto morais é a do colega advogado que, enquanto na hora em que firmamos o contrato se mostra um pitbull disposto a matar e morrer pelo cliente, na audiência, tête-à-tête com o juiz, se metamorfoseia num poodle dos mais dóceis. Como isso me irrita!

Já houve caso de, em plena audiência, comigo sustentando e defendendo meu ponto de vista a plenos pulmões, ser obrigado a repreender meu advogado na frente dos presentes, pois ele se limitava a me "pedir calma" em vez de defender meus interesses. Disse-lhe que se eu quisesse um advogado-rivotril teria ido à drogaria mais próxima e optado por um genérico!

Em outra oportunidade, ante uma sugestão descabida por parte do magistrado, de pronto rechaçada por mim, o advogado (não o rivotril, esclareço) me puxa pelo braço e cochicha no meu ouvido "mas você não acha que seria bom pra você aceitar?"... Ora, meu caro, você foi contratado para defender o interesse do contratante, e não pode se voltar contra ele em hipótese alguma!

Não gosto de dar conselhos a ninguém, porque não me sinto capacitado para tanto e acredito que aqueles conselhos que realmente servem para alguma coisa costumam ser cobrados e não gratuitos, mas este posso veicular de cadeira, pois já estive dos dois lados e sei o quanto uma postura como essa que descrevi pode causar prejuízos de toda ordem ao seu cliente. Então, é com a consciência tranquila que eu rogo aos meus colegas advogados e advogadas: NÃO SEJAM ADVOGADOS "PITPOODLES"!

68 Comentários

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Sinceramente, sob meu ângulo de visão, entendo que o advogado é contratado para defender o melhor interesse para o seu cliente e não para brigar ou manter-se inarredável diante de uma situação adversa. Se é para manter a linha do colega e em nada se curvar ou até realizar um bom acordo, melhor seria mandar um estagiário (se fosse possível) para a audiência. Bons advogados cuidam do cliente, mesmo que o cliente não saiba disso.... continuar lendo

Perfeito. "Bons advogados cuidam do cliente, mesmo que o cliente não saiba disso". continuar lendo

Onde você leu minha sugestão para que o advogado brigue ou seja intransigente?

O artigo trata tão-somente da DIFERENÇA DE POSTURAS entre o que esperamos ao contratar um advogado e o que ele mostra ser quando exigido.

Recomendo reler o texto até entender. continuar lendo

Prefiro "o bom advogado cuida do seu cliente, mesmo que isso signifique eventualmente se indispor com o juiz e ficar com fama de chato - antes chato que frouxo". continuar lendo

Se o estagiário tiver postura, mande-o. O que não pode é ficar inerte , abster-se da defesa para não parecer chato ou por medo de ter de "suar" a camisa para que os interesses / a verdade prevaleça. MEDO paralisa os que não reagem. continuar lendo

Eu até meio que entendo o colega Nélio Oliveira, de fato, há advogados que são uns leões nos corredores e se transformam nuns gatinhos na sala de audiência. Postura que, realmente, eu também repreendo.

Todavia penso que a forma exacerbadamente enérgica que o autor escreveu seu texto poderia ter sido mais amenizada com menos emoção e mais lógica. continuar lendo

Impossível avaliar sem ver como você se comporta em uma audiência, já realizou uma auto crítica? continuar lendo

Avaliar o quê? Eu não proponho nem sugiro que nada seja avaliado. Não é a minha postura como cliente ou como advogado que está sob escrutínio, mas tão-somente da DIFERENÇA DE POSTURAS entre o que esperamos ao contratar um advogado e o que ele mostra ser quando exigido. continuar lendo

É .... às vezes o advogado precisa proteger o cliente .... dele mesmo. continuar lendo

Concordo com você, afinal esse é o papel do especialista. Mas especialistas picaretas há em todas as profissões. continuar lendo

Discordo um pouco do seu ponto de vista. Enquanto advogado, tenho que ser racional e entender o momento em que a audiência ou a negociação se encontra. Nos momentos iniciais de uma audiência, o juiz está simultaneamente tentando conciliar as partes e fixando os pontos controversos da lide. Nesse momento do processo, não basta que eu defenda o cliente com unhas e dentes de forma cega, mas sim que enxergue com clareza, atento aos riscos da lide, a vantagem de um acordo. Isso é muito comum na Justiça do Trabalho, em que o juiz, nesse momento, verdadeiramente adianta a sua sentença para as partes, vezes de forma expressa, vezes de forma velada, implícita. Noutro giro, a defesa deve ser mais incisiva no momento da instrução do processo, onde o juiz colhe as provas de fato. Ah, não sei se é o caso do autor, mas repense sua atuação e a régua com que julga a atuação dos colegas se os critérios práticos que você adota para definir um bom advogado são: grito, ofensa e tapa na mesa. continuar lendo

Quem sugeriu a defesa do cliente de forma cega? Quem defendeu "grito, ofensa e tapa na mesa"? Eu não fui. continuar lendo

pois é Arthur eu represento minha mãe judicialmente e o advogado da parte contraria só me ofende, só causa mais problemas, mas por outro lado até hoje nunca ganhou uma ação contra minha mãe, as vezes é preciso como colocou ser racional e chegar a um acordo, e de mais a mais faz parte da ética do advogado aconselhar quanto os riscos do seu cliente em continuar, eu até hoje só vi a parte contraria ficar no prejuizo em dobro continuar lendo